Eny Calçados
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AO SUCESSO

Num ambiente pouco favorável à instalação de novos negócios em função de efeitos da Primeira Guerra Mundial, surgiu a idéia de uma loja de calçados masculinos e infantis. Santa Maria tinha 22 mil habitantes distribuídos em 3 mil casas, situada numa confluência de linhas férreas provindas de três ângulos básicos do território gaúcho. O ponto escolhido para sua instalação distanciava-se do fluxo comercial do período, e a direção era desempenhada por um experiente viajante de calçados: Luiz Andrade.

O NOVO

O novo estabelecimento compunha-se de uma sala pequena e escura, com acesso à rua por uma única porta ao lado de uma vitrine. O primeiro dia de vendas foi encerrado às 22 horas, horário normal de funcionamento na época, somando 2 mil e 500 réis obtidos por um par de alpargatas. O segundo dia não registrou venda alguma, ficando o terceiro com uma situação complicada: a única venda realizada precisou ser devolvida. Tratava-se de um par de botas adquiridas pelo cliente com dinheiro fruto de roubo.

O faturamento do primeiro ano ficou em 24.817$400 ( 24 contos, 817 mil réis e 400 centavos ).

Somente em 1927 houve a inclusão de calçados femininos, sendo “Eny” a primeira marca comercializada na loja. Era fabricada pela firma Propício Cunha Fontoura, de Porto Alegre, considerada a mais requintada do estado, valendo-lhe a homenagem na atribuição do nome do ponto comercial.

Assim começava a consolidação do slogan “Casas Eny – A Mais Barateira”, dentro da filosofia de “vender barato para vender muito”, objetivo somente mantido com a estratégia ainda vigente de monitoração dos movimentos do mercado.

Já na década de 30, via-se que a revolução na cidade não era  provocada somente pela política agitada. Na loja, os maiores fabricantes de calçados do país já ocupavam espaço.

 

E O PROCESSO   de crescimento foi contínuo em termos de mudanças e abertura de novas lojas, segmentadas por público de interesse.

De um fluxo de vendas na ordem de 275 mil unidades/ano durante a década de 60, a Eny chega no início dos anos 90 a 1 milhão e 247 mil unidades/ano, número estável até hoje.

Seria como dizer que são 142 unidades vendidas a cada hora em sua rede de lojas, se estivesse aberta 24 horas por dia.

Um resultado que repercute diretamente não só no aumento de empregos e na movimentação dos fabricantes, mas no repasse de impostos ao setor público.

Em termos de formatação jurídica e razão social, a empresa passou por mudanças. Em 20 de julho de 1962, a firma Salvador Isaia Irmãos & Cia Ltda passava a denominar-se Casas Eny S.A. Comércio de Calçados, havendo outras transformações até chegar em 26 de julho de 1996 com Eny Comércio de Calçados Ltda., denominação atual.

SALVADOR ISAIA

O EXEMPLO E A INSPIRAÇÃO

Salvador Isaia está ligado ao comércio calçadista desde os 15 anos de idade, quando Luiz Andrade decidiu concretizar seu sonho de fundar uma loja no setor. Era filho de um imigrante italiano, José Isaia, que veio para o Brasil aos 20 anos de idade em 1889 e já instalou um atelier fotográfico na cidade de Porto Alegre, onde veio a casar-ser com Clara Rivitti Isaia. Salvador, que nasceu em 2 de julho de 1909, é o quarto dos doze filhos do casal.

Luiz Andrade , experiente viajante na representação de fabricantes de calçados no estado, precisava de um auxiliar e expôs a idéia ao pai de Salvador, que foi imediatamente aceita.

E foi Salvador quem confeccionou as prateleiras da loja, utilizando a madeira das embalagens das primeiras remessas de calçado que chegaram.

O então menino cursava na época o quinto ano primário e prestava orientação à Diocese de Santa Maria. Este trabalho, aliás, viria a ressalta-lo como Cavalheiro da Ordem de São Silvestre pelo Papa Pio XII 50 anos depois.

 

Seu empenho foi tamanho que chegou à direção da empresa em 1939. Desde 1937, Salvador Isaia cultivava o hábito de visitar fábricas, fazer e acompanhar pedidos, conversar com fabricantes, descobrir os grandes negócios. Sua conversa era sobre sapato, sobre coisas de sapato, sobre gente que faz e gosta de fazer sapato. Mas gostava muito de arte e de cultivar rosas finas em estufas.

Casou-se com Edith Cechella, com quem teve sete filhos, dois deles participando da administração da empresa até hoje, além de um dos irmãos.

 

O crescimento da Eny foi gradativo e consistente, acompanhado por ele até o falecimento em 30 de março de 1992.


PONTOS DE ENCONTRO E DE VIDA

O que provavelmente parece mais curioso para quem analisa a trajetória da Eny Comércio de Calçados é a multiplicidade de características e preferências da clientela. E atender exatamente a individualidade dentro do coletivo, não é tarefa fácil. Mas a contar pelo acréscimo de 470% em metros quadrados de espaço físico dedicado aos clientes já na primeira mudança de loja no ano seguinte à abertura em 1924, algum indicativo promissor poderia ser rapidamente identificado.


DESFILAM

Desfilam pelo mundo da Eny desde então raças, sexos, classes econômicas, idades, interesses sócio-culturais bem diversos, formatando uma comunidade com talvez apenas um ponto inquestionável em comum; procura pela qualidade de atendimento e de produto. Na história da empresa, situações pitorescas bem demarcam esta proximidade com o cliente.

João Gabriel, irmão de Salvador Isaia, deslocava-se do balcão do pequeno estabelecimento nos três primeiros anos para os vilarejos mais longínquos da cidade a fim de oferecer calçados e detectar as preferências e objeções das pessoas dentro de seus próprios ambientes e em total descontração.

E pra quem acha que naquele tempo não havia tamanha concorrência, este mecanismo foi instaurado como forma de conquista de diferenciação das outras nove firmas do mesmo ramo de negócio. Resultado? Entre os anos de 1935 e 1940, tendo na gerência Salvado Isaia, já ficava estabelecido o grande boom da marca na região, em que todas as localidades vizinhas encomendavam produtos, inclusive de estados como São Paulo, Santa Catarina e Paraná, e de países vizinhos, num impacto na economia e turismo regionais comprovado até este final dos anos 90 como um ponto obrigatório da cidade.


ENY NO CORAÇÃO DE CADA UM

Não basta alcançar a opção de compra ocasional, gerada pela necessidade momentânea do consumidor. Também não é suficiente disponibilizar nas vitrines e balcões produtos adequados as tendências da estação e do design de cada época, mesmo que comprovadamente com os preços mais baixos. Para a Eny Comércio de Calçados, o exercício comercial cotidiano não pode prescindir de muito mais: a lealdade e a palavra de recomendação da clientela por meio de uma marca forte e bem posicionada.

Independente de teorias mercadológicas, é histórica na empresa a consciência de que a implementação precisa de estratégias e instrumentos de comunicação são necessárias à sobrevivência, credibilidade e consolidação de um empreendimento. Ainda que na primeira loja em 1924 houvesse apenas uma sinalização externa lateral indicadora do ramo de negócio – “Calçados”, sequer com um nome comercial, a compensação foi imediata logo após a definição do nome “Eny”, com a instalação do primeiro luminoso em gás neon da cidade. Em 1930, de maneira inédita para o setor, a empresa utilizava a pintura de muros e de fachadas laterais de grandes prédios, artifício até então restrito aos estabelecimentos farmacêuticos.


PREMIAÇÕES CONFERIDAS A EMPRESA

"Lojista do Ano 1979" para Salvador Isaia na Francal ( SP )

"Destaque Comércio do Ano 1979" para Casas Eny pela CACISM em Santa Maria ( RS )

"Lojista do Ano 1985" para Salvador Isaia na Couromoda ( RJ )

"Comerciante do Ano 1986" para Salvador Isaia pela CACISM em Santa Maria ( RS )

"Destaque Comércio do Ano 1994" para Eny Comércio de Calçados pela CACISM em Santa Maria ( RS )

"Empresário do Ano 2001" para Rafael Cechella Isaia CACISM/SindLojas/CDL


Os MELHORES FABRICANTES ESTAO NA ENY

Uma empresa que surge da experiência e capacidade de um viajante de calçados talvez não pudesse mesmo ter destino diferente. Mas quando o primeiro fornecedor - Liopart & Cia Ltda, da cidade de Rio Grande(RS) apostava na capacidade de vendas do pequeno negócio no interior gaúcho, certamente não imaginava a tamanha consolidação da marca Eny no mercado nacional e nas representações internacionais de fabricantes de calçados e artigos esportivos (confecções e equipamentos).

Na comemoração dos 50 anos de atividade, eram 230 fornecedores. Hoje, o sistema informatizado que gerencia contatos comerciais demonstra mais de 1000 empresas cadastradas, com compras ativadas a partir de seus lançamentos e das exigências específicas de cada estação do ano. As compras são realizadas com foco para cada loja Eny, com os próprios diretores atuando como compradores na visita direta a fabricantes e sobretudo a feiras semestrais. A recepção de representantes comerciais de fornecedores também é realizada, com agendamento prévio e dentro de necessidades constatadas para cada momento.

A adesão contínua de novas empresas e novos produtos às vitrines e à vida dos consumidores, sem deixar de conferir o justificável voto de confiança aos lideres de preferência, pode ser constatado diariamente. 0 parâmetro básico de escolha dá-se em função de qualidade comprovada e preço compatível, além de determinadas prerrogativas exigidas dependendo do artigo analisado.

Com um gerenciamento de estoque rigoroso, o repasse de vantagens reais aos clientes é imediato. Os métodos da Eny de credenciamento, compra e relacionamento com fornecedores procuram demonstrar a imprescindível integração entre indústria e comércio na alavancagem de um país que tem orgulho de sua capacidade produtiva e confia no talento criativo de seus trabalhadores. Mais que mercadorias, pois, as prateleiras da Eny representam a diversidade de culturas e estilos do povo brasileiro materializada em formas, cabedais, cadarços, ilhoses, tecidos e cores. Porque a Eny não vende apenas material de uso e suprimento de necessidades, mas também libera e viabiliza a imaginação e o sonho de cada um.